“Em um mundo onde a maioria das pessoas pode enxergar com perfeição, poucos são aqueles que realmente veem”.

 

Muitas vezes ouvimos alguém dizer que a história de um determinado livro é clichê. Então eu gostaria de propor um questionamento: tudo o que é clichê é ruim? Sério, vamos parar para pensar um pouco e logo chegaremos a conclusão que não, nem tudo o que é clichê é ruim. Aliás, tem muito clichê por aí – livros, filmes, séries – que todo mundo ama!

 

Mas porque estou falando sobre clichê em uma resenha? Porque o livro Como eu imagino você do brasileiro Pedro Guerra tem todos os ingredientes de um bom clichê, daqueles que a gente ama e que deixam aquele “quentinho” no coração. Todo mundo precisa desse tipo de leitura de vez em quando: uma história fofa, leve e divertida para aquecer o coração.

 

“O mundo é cego. Ninguém se importa com as histórias dos outros. Somos todos videntes para aquilo que nos importa e só isso.”

 

Créditos da foto: Leia com a gente

 

Como eu imagino você nos conta a história de Lena, uma jovem que é diagnosticada ainda criança com uma síndrome rara que a faz perder a visão gradativamente. Não há cura e Lena tem que aprender a conviver com o fato de que ficará completamente cega. Mas Lena está longe de ser uma pessoa depressiva ou que vive se lamentando.

 

“ Ás vezes, a única coisa que a gente quer é ser normal. Mas aí percebemos que todo mundo a nossa volta tenta insistentemente ser normal, se enquadrar em certo padrão para ser aceito, e aí a gente não quer ser como outros. Nós percebemos depois de alguns erros que está tudo bem em sermos quem somos, como somos.’’

 

Apesar dos problemas decorrentes da baixa visão – que a faz enxergar apenas borrões – ela mantém o bom humor e tenta ser o mais independente possível, apesar da superproteção dos pais. Apenas duas coisas são capazes de deixar Lena agitada: os sentimentos confusos que ela passa a ter por seu melhor amigo Lucas e os sonhos misteriosos e recorrentes que ela começa a ter, onde sempre aparece um rapaz desconhecido.

 

“Posso vê-lo mais do que a minha capacidade de enxergar permite. Consigo ver que ele é diferente.”

 

Créditos da foto: Leia com a gente

 

Toda essa calmaria na vida de Lena começa a mudar quando seus pais viajam e ela se vê obrigada a lidar sozinha com Alex, um simpático jardineiro que começa a trabalhar em sua casa. A partir daí coisas inusitadas começam a acontecer e acompanhamos a maneira como Lena lida com tudo isso e a enfrentar melhor seus medos e incertezas.

 

“Tudo na vida depende do tempo…quando você tem muitas horas, não se importa em perder alguns minutos do seu dia. Porém, quando você passa a ter apenas alguns minutos, cada segundo vale muito.”

 

Gostei bastante da escrita do Pedro Guerra, o livro é permeado por uma leve ironia, principalmente nas falas da protagonista, que casam muito bem com a proposta da história. O autor aborda a deficiência de Lena de forma real, porém sempre procurando mostrar que a personagem leva a vida da melhor maneira possível, sem lamentação ou vitimismo. Adorei.

 

“Somos iguais… Somos versos de um mesmo poema que se encaixam perfeitamente, sem nem precisar de rima.”

 

Créditos da foto: Leia com a gente

 

O final da trama é muito interessante e digno de filmes da sessão da tarde! Eu gostei muito. Se você quer um livro para se divertir e relaxar, leia Como eu imagino você, vale muito a pena!

 

Até a próxima e continuem lendo com a gente.

 

Título: Como Eu Imagino Você
Autor: Pedro Guerra
Editora: Gutenberg
Gênero: YA

“E foi assim que começou a famosa Lista Negra: como uma piada. Uma forma de descarregar a frustração. No entanto, ela acabou se transformando em algo que eu nem imaginava” (pag. 85)

 

Bullying, palavra tão presente nos dias de hoje. Ouvimos sobre o assunto na TV, lemos sobre isso nos jornais, ouvimos casos e relatos reais o tempo todo. A palavra está sempre associada a sofrimento e não raro a tragédias.

 

O bullying é um assunto indigesto, mas que precisa ser falado, discutido, tratado. E é isso que a autora Jennifer Brown faz nas páginas de seu livro A Lista Negra. Fala do bullying e de como sua prática pode destruir pessoas e vidas, inserindo um tema tão dramático e com carga psicológica tão forte em uma narrativa juvenil.Continue lendo

[RESENHA] Beleza Perdida (Amy Harmon)

“As vezes a beleza, ou a falta dela, se torna um obstáculo para realmente se conhecer uma pessoa.”

Beleza Perdida, da escritora Amy Harmon é o tipo de livro que te atinge como uma flecha, de tal modo que a história permanece com você por um bom tempo. É um dos melhores livros que já li, e acredite, eu já li muitos. A primeira vista a impressão pode ser de uma velha fórmula já batida, tanto na literatura como no cinema: a história de uma menina sem graça, quase feia, que se apaixona pelo bonitão da cidade. Sim, isso acontece no livro, mas as semelhanças param por aí. Essa releitura de a Bela e a Fera é muito mais profunda e encantadora.

Fern Taylor é uma ruivinha pequena e sem graça, nada popular, que vive mergulhada em livros – lendo e escrevendo. Sua principal e constante companhia é o primo e melhor amigo Bailey, que sofre de uma doença degenerativa que o faz ter muitas limitações e necessitar de cuidados constantes, cuidados estes que Fern assume, durante boa parte do tempo. Além de Bailey, Fern também tem uma grande amiga, a bela e popular Rita.

Fern é apaixonada desde criança pelo rapaz mais lindo e popular da cidade. Ambrose Young é lutador e tem um futuro promissor no esporte. O amor de Fern por Ambrose é incondicional e ela não espera – embora deseje – ser correspondida. Ambrose não enxerga Fern e ela contenta-se em ser apenas mais uma espectadora de todo o carisma e admiração que o rapaz desperta.

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“O amor é a coisa mais estranha e sem lógica do mundo.”

Quatro minutos podem mudar sua vida? Hadley vive se atrasando para tudo e não foi diferente com o voo que deveria pegar para Londres naquele dia, mas o que parecia ser apenas um imprevisto acaba provocando mudanças imprevisíveis em sua vida.

A trama de Jennifer E. Smith tem como protagonista Hadley, uma adolescente que nunca aceitou muito bem a separação dos pais. Seu humor piora quando o pai – que mora em Londres –  decide se casar novamente com uma mulher que Hadley sequer conhece e ela é obrigada a comparecer ao casamento. Continue lendo

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