[RESENHA] O Vilarejo (Raphael Montes)

“O vilarejo, se existiu em algum momento, sumiu do mapa.”

 

Olá bibliófilos!

 

Começo esse texto com o pensamento que tive ao terminar a leitura desse livro: Caramba !

O Vilarejo é um livro que provoca uma série de sensações: desconforto, choque, repulsa e uma pontinha de medo, mas acredite, você vai devorar o livro sem nem perceber. Eu, particularmente, não leio muitos livros de terror e tenho um certo limite que não costumo ultrapassar, mas O Vilarejo é tão interessante e tem uma escrita tão envolvente que li numa boa e ainda gostei muito! Portanto se você é como eu e tem um certo receio de se aventurar neste gênero, fique tranquilo e leia sem medo!

” O velho estava certo. O vilarejo está sendo dizimado dia após dia. O luto sentou-se à mesa. Ninguém chora os mortos. Não podem desperdiçar energia lamentando a partida dos que não suportaram o frio e a fome.”

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“Em minha ingenuidade, cheguei a pensar que a distância, no espaço e no tempo, apagaria a marca do passado, mas nada pode mudar nossos passos perdidos.”

 

O Palácio da Meia-Noite é o segundo livro do autor espanhol Carlos Ruiz Zafón e faz parte da Trilogia da Névoa, composto ainda por O Príncipe da Névoa e As Luzes de Setembro. Apesar dos três volumes serem agrupados em uma trilogia, os livros são totalmente independentes, com personagens e cenários distintos, portanto podem ser lidos em qualquer ordem. O único elemento que as tramas tem em comum é a temática sobrenatural que Zafón sabe imprimir tão bem em suas obras.

 

Nesta trama o autor troca a velha Barcelona – cenário da maioria de seus livros – por Calcutá, na Índia, o que traz um tempero a mais para a narração, pois os cenários e paisagens exóticas da cidade indiana são muito interessantes e o autor é muito bom em inserir o local onde suas tramas se passam no contexto da história, quase como um personagem da trama.

 

“Os lugares que abrigam a tristeza e a miséria são o lar predileto das histórias de fantasmas e aparições. Calcutá guarda em seu rosto obscuro centenas dessas histórias, que, embora ninguém tenha coragem de confessar que acredita, sobrevivem na memória de gerações.”

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[RESENHA] Marina (Carlos Ruiz Zafón)

 

“Marina me disse um dia que a gente só se lembra do que nunca aconteceu. Ainda ia passar uma eternidade antes que eu pudesse compreender essas palavras.”

 

Marina, publicado originalmente em 1999, foi minha primeira leitura do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón e desde então me tornei fã do autor. Já li alguns de seus livros, mas Marina é, sem dúvida, o meu preferido.  Resenhar suas obras não é uma tarefa fácil, pois é muito difícil transcrever em palavras as sensações que sua escrita causa no leitor.

A trama gira em torno do jovem Oscar, que vive em um colégio interno em Barcelona e passa todo o seu tempo livre explorando as ruas da cidade, apreciando as estruturas dos antigos casarões. Em um desses passeios, ele é atraído por um gato para dentro de um casarão antigo e lá acaba conhecendo a doce e misteriosa Marina, que vive com seu pai, o amargurado Germán.

Uma forte amizade surge entre os dois, que passam a se encontrar com frequência em passeios pelos bairros antigos da cidade e é num desses passeios que o caminho dos dois cruza com o de uma mulher vestida de preto, uma figura sinistra e misteriosa que visita o antigo cemitério todos os dias. Oscar e Marina passam então a seguir a mulher e acabam esbarrando em um segredo tão antigo quando assustador. Paralelo a esse suspense existe ainda a relação entre Oscar e Marina, com diálogos fortes e encantadores.

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