O Oceano no Fim do Caminho (Neil Gaiman)

Olá Bibliófilos !

 

Minha primeira leitura de Neil Gaiman foi Lugar Nenhum, já resenhada aqui no blog, e desde então eu me apaixonei pelo autor. Gaiman transita muito bem por diferentes gêneros como quadrinhos, fantasia e histórias mais sombrias, mas seus textos tem sempre aquele toque mágico inconfundível.

 

Em O Oceano no Fim do Caminho o autor toca em um tema caro a todos nós: a infância e em como nessa fase da vida a fantasia e a realidade estão sempre interligadas.

 

“As memórias de infância às vezes são encobertas e obscurecidas pelo que vem depois, como brinquedos antigos esquecidos no fundo do armário abarrotado de um adulto, mas nunca se perdem por completo”. (pág. 14)

 

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“A outra parte da livraria fica empilhada em cima e atrás de tudo isso, nas prateleiras com escadas altíssimas, e contém volumes, que, pelo menos segundo o Google, não existem. Pode confiar em mim. Eu procurei. Muitos têm aparência de antiguidades – com couro rachado, títulos folheados a ouro -, mas outros são recém-encadernados com capas novinhas. Então, não têm nada de antigos. Eles são apenas…especiais.”

 

A trama de A livraria 24 horas do Mr. Penumbra, de Robin Sloan, nos conta a história de Clay Jonnes, um web-designer que perde o emprego e após um período sem conseguir outra colocação em sua área, resolve sair pelas ruas de São Francisco a procura de qualquer vaga disponível. Após muita peregrinação ele se depara com um anúncio de “Procura-se Atendente” em uma livraria 24 horas. Clay é contratado e começa a trabalhar no turno da noite, mas ele logo percebe que aquela não é uma livraria comum: pouquíssimo movimento, clientes estranhos, regras que não podem ser quebradas, livros dos quais ele não deve se aproximar, e vários outros mistérios.Continue lendo

[RESENHA] Sorrisos Quebrados – Sofia Silva

“Eu acredito que sou um quadro abandonado por alguém que nunca desejou ser pintor. Alguém que me pegou quando eu era uma tela branca e, em vez de me pintar com a suavidade dos pincéis, me feriu com o lado pontiagudo. Perfurou vezes sem conta até eu ser um buraco grande em vez de uma obra de arte.”

 

A cena que abre o livro Sorrisos Quebrados já é um soco no estômago. Logo de cara o leitor é colocado frente a frente com uma mulher em desespero. Paola descreve o momento que acredita ser o da sua morte. O sentimento de agonia, impotência e finalmente a entrega ao inevitável fim. Paola não morre, mas naquela noite seu corpo e sua alma foram marcados para sempre. Paola está quebrada.

Uma sensação de agridoce me acompanhou por toda a leitura de Sorrisos Quebrados, da portuguesa Sofia Silva, pois  é um livro que causa impacto e ternura ao mesmo tempo. A escrita da autora é cativante e poética, tanto que a cada página lida tinha que marcar uma citação, pois suas frases são incríveis. Frases curtas que querem dizer muito.Continue lendo

[RESENHA] Planeta Brutal (Raphael Miguel)

“O fenômeno que ficou conhecido como Primeiro Dia, obrigou os últimos representantes da raça humana a se adaptarem e repensarem o modo de vida, para que pudessem sobreviver diante de uma nova realidade. Diferente do que muitos acreditavam, não foi o fim dos tempos, mas o início de uma nova e perturbadora era. Uma época vil, feia, visceral e brutal.”

 

O apocalipse é um tema recorrente na literatura e no cinema. A ideia de que nosso mundo caminha para um inevitável fim está presente no nosso imaginário desde tempos muito remotos. Cataclismos cósmicos, mudanças climáticas severas, guerras nucleares e pandemias são alguns dos motivos que poderiam levar o planeta Terra a um colapso e consequentemente a raça humana a extinção. Planeta Brutal, do autor Raphael Miguel, tem como premissa o apocalipse. Mas a trama não está focada no fim do mundo ou em explicar os motivos que levaram a isso. Planeta Brutal fala do que acontece depois e de como o ser humano reagiria ao fim do nosso planeta como o conhecemos.

 

A trama se passa no Brasil e começa narrando um dia comum, com pessoas vivendo suas rotinas normalmente quando ocorre um evento catastrófico e de modo abrupto aniquila o planeta Terra e a maior parte da raça humana. A partir daí os sobreviventes precisarão aprender a viver num novo planeta, hostil e brutal. É possível sentir, através da narrativa de uma das personagens que presenciou o acontecimento, toda a perplexidade e angústia diante do que parecia ser o fim de tudo. É de arrepiar.Continue lendo

[RESENHA] A garota italiana (Lucinda Riley)

“Eu era feliz, e meus sonhos não iam além do pôr do sol seguinte.” (pag.12)

Olá bibliófilos!

Sim, eu confesso: sou apaixonada pela narrativa da autora irlandesa Lucinda Riley, e com A Garota Italiana não foi diferente. Adoro suas tramas que cortam o tempo e mostram a saga de gerações de uma mesma família. Os enredos que falam de amor e de ódio, esses sentimentos que muitas vezes caminham lado a lado. Outro aspecto que eu gosto muito dos  livros da autora são os cenários e culturas diferentes. Alguns livros da autora já me fizeram mergulhar nas paisagens lindas da Irlanda, na cinzenta e charmosa Inglaterra e até a exótica Índia. Agora chegou a vez da bela e alegre Itália ser palco de mais uma história de Lucinda Riley.

A garota italiana foi escrito originalmente em 1996, quando a autora era ainda muito jovem e utilizava um pseudônimo (Lucinda Edmonds) para assinar suas obras. Em 2015 seu editor sugeriu que ela resgatasse seus primeiros livros para uma reedição. Foi então que a história de Rosanna Menici e Roberto Rossini saiu das páginas amareladas de um manuscrito, passou por uma revisão da autora e foi relançado, e o resultado foi muito, muito bom. Quem conhece outros livros de Lucinda Riley vai notar logo de cara uma diferença no estilo da escrita. Ao contrário da maioria de suas histórias – narradas de forma não linear – esta segue uma ordem cronológica mais estruturada.

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