“Em minha ingenuidade, cheguei a pensar que a distância, no espaço e no tempo, apagaria a marca do passado, mas nada pode mudar nossos passos perdidos.”

 

O Palácio da Meia-Noite é o segundo livro do autor espanhol Carlos Ruiz Zafón e faz parte da Trilogia da Névoa, composto ainda por O Príncipe da Névoa e As Luzes de Setembro. Apesar dos três volumes serem agrupados em uma trilogia, os livros são totalmente independentes, com personagens e cenários distintos, portanto podem ser lidos em qualquer ordem. O único elemento que as tramas tem em comum é a temática sobrenatural que Zafón sabe imprimir tão bem em suas obras.

 

Nesta trama o autor troca a velha Barcelona – cenário da maioria de seus livros – por Calcutá, na Índia, o que traz um tempero a mais para a narração, pois os cenários e paisagens exóticas da cidade indiana são muito interessantes e o autor é muito bom em inserir o local onde suas tramas se passam no contexto da história, quase como um personagem da trama.

 

“Os lugares que abrigam a tristeza e a miséria são o lar predileto das histórias de fantasmas e aparições. Calcutá guarda em seu rosto obscuro centenas dessas histórias, que, embora ninguém tenha coragem de confessar que acredita, sobrevivem na memória de gerações.”

O palácio da meia-noite

Créditos da foto: Leia com a gente

 

A história começa em 1916 narrando uma fuga desesperada pelas ruas de Calcutá, um homem carrega dois bebês gêmeos que correm risco de vida pois estão sendo perseguidos por um ser misterioso, que após matar sua mãe pretende por fim à vida dos recém nascidos também. Para mantê-los em segurança os irmãos são separados. A menina – Sheere – é entregue à avô materna e o menino – Ben – é deixado em um orfanato. O tempo passa e as coisas parecem ter se acalmado, mas quando os irmãos estão prestes a completar 16 anos a ameaça retorna mais forte que nunca.

 

A trama principal gira em torno dos irmãos gêmeos, sua aventura em busca do passado e a luta para escapar do ser misterioso que os persegue. Além disso, temos os companheiros de Ben, que também moram no orfanato e que juntos integram a Chowbar Society, uma sociedade secreta formada para manter os amigos unidos e cujo lema é a lealdade e a ajuda mútua. A amizade entre os amigos da Chowbar Society é comovente e rende trechos emocionantes.

 

“Entre as ruínas e recordações, aquele lugar emanava uma aura de magia e ilusão que só pode sobreviver na memória nebulosa dos primeiros anos de nossas vidas.”

 

O palácio da meia-noite

Créditos da foto: Leia com a gente

 

O livro mantêm a tradição das histórias de Zafón, que são calcadas em mistérios e temperadas com um toque sobrenatural, mas algo sempre envolvente e que não descamba para o inverossímil. O autor consegue fazer a fantasia se misturar a realidade de forma espontânea e natural. Esse jogo entre o real e o imaginário é que faz suas obras serem tão boas.

 

Zafón é um dos meus autores favoritos, sua escrita é envolvente, a trama é bem amarrada e os personagens são bem descritos e cativantes. Mesmo os livros do autor que são mais voltados para o público juvenil, como este, não decepcionam pois ele usa uma linguagem bem trabalhada, o que acaba fazendo com que seus leitores reflitam durante a leitura.

 

“É que nada é tão difícil de acreditar quanto a verdade e, ao contrário, nada é tão sedutor quanto a força da mentira, se qual for o seu peso”

 

O palácio da meia-noite

Créditos da foto: Leia com a gente

 

O Palácio da Meia-Noite é uma história sobre a força da amizade e sobre os laços invisíveis que unem as pessoas. A trama cativa o leitor para no final, deixa-lo com lágrimas nos olhos e aquela dorzinha no coração, outra característica marcante das obras de Zafón.

 

“A ironia do destino quis que fosse eu, o menos indicado, o pior dotado para a tarefa, que tivesse a responsabilidade de relatá-la e revelar o segredo que há tantos anos nos uniu e, ao mesmo tempo, nos separou para sempre na estação de trem de Jheeter’s Gate. Teria preferido que outro fosse o encarregado de retirar essa história do esquecimento, porém mais uma vez a vida demonstrou que meu papel é de testemunha, não de protagonista.”

 

Por fim, se você é fã de Zafón não deixe de ler “O Palácio da Meia-Noite”, não é – em minha opinião – o melhor livro do autor, meu queridinho ainda continua sendo Marina (já resenhado aqui no blog), mas é bom e não decepciona! E se você ainda não leu nada desse ótimo autor espanhol, por favor leia, você não vai se arrepender!

 

Sobre o autor

Carlos Ruiz Zafón é um dos autores mais lidos e conhecidos em todo o mundo. Iniciou sua carreira literária em 1993 com O Príncipe da Névoa (Prêmio Edebé), seguido por “O Palácio da Meia-Noite”, “As luzes de Setembro (reunidos em volume único chamado A Trilogia da Névoa) e Marina. Em 2001 publicou seu primeiro romance para adultos, “A Sombra do Vento”, que não demorou a se transformar em verdadeiro fenômeno literário internacional. Com “O Jogo do Anjo” (2008), retorna ao universo do Cemitério dos Livros Esquecidos. Suas obras já foram traduzidas para mais de quarenta línguas e já conquistou inúmeros prêmios, além de milhões de leitores ao redor do mundo.

 

Então é isso, conta para a gente o que achou da resenha nos comentários!

Até a próxima Bibliófilos! E continuem lendo com a gente!

Título: O Palácio da Meia-Noite

Título original: El Palacio de la Medianoche

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Editora: Suma de Letras

Gênero: Fantasia

Ano de publicação: 2013