“Eu era feliz, e meus sonhos não iam além do pôr do sol seguinte.” (pag.12)

Olá bibliófilos!

Sim, eu confesso: sou apaixonada pela narrativa da autora irlandesa Lucinda Riley, e com A Garota Italiana não foi diferente. Adoro suas tramas que cortam o tempo e mostram a saga de gerações de uma mesma família. Os enredos que falam de amor e de ódio, esses sentimentos que muitas vezes caminham lado a lado. Outro aspecto que eu gosto muito dos  livros da autora são os cenários e culturas diferentes. Alguns livros da autora já me fizeram mergulhar nas paisagens lindas da Irlanda, na cinzenta e charmosa Inglaterra e até a exótica Índia. Agora chegou a vez da bela e alegre Itália ser palco de mais uma história de Lucinda Riley.

A garota italiana foi escrito originalmente em 1996, quando a autora era ainda muito jovem e utilizava um pseudônimo (Lucinda Edmonds) para assinar suas obras. Em 2015 seu editor sugeriu que ela resgatasse seus primeiros livros para uma reedição. Foi então que a história de Rosanna Menici e Roberto Rossini saiu das páginas amareladas de um manuscrito, passou por uma revisão da autora e foi relançado, e o resultado foi muito, muito bom. Quem conhece outros livros de Lucinda Riley vai notar logo de cara uma diferença no estilo da escrita. Ao contrário da maioria de suas histórias – narradas de forma não linear – esta segue uma ordem cronológica mais estruturada.

“Rosanna o encarou. Nunca havia pensado em um homem como alguém lindo, mas não conseguiu encontrar outra palavra para descrevê-lo.” (pag. 18)

A garota italiana

Créditos da foto: Leia com a gente

O livro é escrito sob a forma de uma carta de Rosanna para Nico, na qual a protagonista conta toda a sua história. A trama começa em Nápoles, onde Rosanna – então com 11 anos de idade – mora com seus pais e dois irmãos mais velhos: a bela Carlotta e o protetor Luca. Rosanna tem uma bela voz e um dia, em uma festa de família, ela canta tão lindamente que chama a atenção do jovem e belo cantor Roberto Rossini, um astro em ascensão no mundo da ópera. Roberto então recomenda a família de Rosanna que invista no talento da garota. A família não dá muita atenção, mas seu irmão Luca promete a pequena Rosanna que se esta for sua vontade ele fará de tudo para ajudá-la a se tornar uma cantora. Rosanna fica muito impressionada com a beleza de Roberto, a ponto de jurar que um dia se casaria com ele.

“Rosanna, Deus lhe deu um dom, mas junto com esse dom vêm dificuldades e decisões difíceis de tomar. E só você pode decidir se têm coragem para tomá-las. A escolha é sua.” (pag. 44)

Os anos passam e Rosanna, com a ajuda do irmão, se dedica às aulas de canto e consegue aprimorar seu dom. Aos 16 anos ela tem a oportunidade de estudar em uma tradicional escola de música em Milão e parte para uma nova vida acompanhada pelo irmão Luca. A partir de então seu caminho volta a cruzar com Roberto Rossini e sua vida mudará para sempre. 

A trama nos conduz pelos bastidores da música clássica e das óperas, o glamour dos grandes teatros, a dedicação à arte, a disputa de egos e os dois lados da fama. Todo esse universo permeia a conturbada relação de Rosanna e Roberto, que apesar de uma paixão muito forte tem que enfrentar muitos obstáculos e segredos escondidos.

“Desejou que fosse possível congelar aquele instante, preservá-lo para sempre. O que quer que o futuro reservasse, sabia que se lembraria eternamente de estar deitada ali, sob o sol, esperando Roberto voltar.” (pag. 204)

Um aspecto muito interessante é que a autora soube abordar muito bem a submissão que o amor pode causar. Até que ponto é aceitável se colocar em segundo plano em nome de alguém que amamos? Será que essa dedicação extrema a alguém justifica o afastamento das pessoas que mais amamos ou será que o amor também pode ser nocivo, mesmo sendo um sentimento puro e forte? Todas essas questões são apresentadas ao leitor através da história narrada por Rosanna.

“Dei-me conta de que podemos amar alguém de todo o coração, mas isso não significa que essa pessoa nos faça bem.” (pag. 383)

Além da trama principal, entre Roberto e Rosanna, temos excelentes histórias e personagens secundários, que têm seus próprios dramas e dilemas. Os irmãos Carlota e Luca, a melhor amiga Abi e Donatella, a antagonista, são um capítulo a parte que daria outro livro.

Por fim eu diria que A garota italiana fala basicamente sobre o amor.  O amor entre um homem e uma mulher, o amor entre irmãos, o amor entre amigos e o amor de uma mãe por seu filho.

“Quando estou com você , deixo de ser eu mesma. Me afogo em você e no amor que sinto.” (pag. 442)

Leia, você vai se emocionar! E como sempre digo: é impossível ler um romance de Lucinda Riley sem derramar pelo menos algumas lágrimas.

Até a próxima bibliófilos, e continuem lendo com a gente!

A garota italiana

Créditos da foto: Leia com a gente

Confira mais algumas citações:

“E foi nesse instante que ela entendeu que o amava.” (pag. 20)

“Existem algumas coisas na vida que estão fora do nosso controle, sabe? Às vezes precisamos deixar tudo a cargo do destino.” (pag. 57)

“Você encontrou um lugar no meu coração e vai morar lá até o dia da minha morte. Me diga que nunca vai deixar nada nos separar.” (pág. 213)

“O amor é uma espécie de vício. É preciso suportar um período de abstinência e não se punir por de vez em quando pensar que nunca vai passar.” (pag. 300)

“- Lembra de quando eu disse que nunca me apaixonei? – Lembro. – Eu estava mentindo. Estou apaixonado. – Por quem? – Por você.” (pag.191)

Título: A garota italiana
Autora: Lucinda Riley
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Gênero: Romance
Páginas: 464