Olá Terrófilos!!!

 

É impossível falar do livro, sem trazer o que o gerou. Ou seja, o filme “A Noite dos Mortos Vivos”, que nada mais é do que um clássico do gênero terror. Considerado um grande sucesso depois da sua estreia no cinema americano, em 1968. A produção desse primeiro filme, realizado com baixo orçamento, faturou milhões dentro e fora do EUA, se tornando referência dos clássicos terror cult. Foi considerado um divisor de águas do gênero, e causou um certo alvoroço na época, tendo sua exibição quase impossibilitada de acontecer, por conter cenas consideradas explícitas de violência e morte. Segundo o autor da obra, John Russo, a inspiração do roteiro surgiu de clássicos pelos quais era fã, como Drácula, Frankenstein e Lobisomem, mas principalmente por estar cansado de ver filmes que considerava ruins, e que o deixavam frustrado, porque os monstros nunca apareciam por completo, e as cenas que deveriam ser as mais horripilantes, eram cortadas.  

O livro está divido em duas partes, “A noite dos mortos vivos” e “A volta dos mortos vivos”. A primeira inicia com dois irmãos, Johnny e Bárbara, que no filme são interpretados por Russel W. Streiner, sendo ele um dos produtores, e pela atriz Judith O’Dea, que partem de carro a caminho da região rural da Pensilvânia, com o intuito de chegarem ao cemitério local e visitarem a sepultura do pai, falecido já há alguns anos. Por se perderem durante o caminho, eles chegam ao destino já no começo da noite, e é dentro deste cenário clássico de terror, que o leitor tem o contato inicial com um morto vivo. A cena é bem previsível logo nas primeiras páginas, e funciona mais como um ponto para o desenrolar do enredo.   

Crédito da foto: Leia com a gente

 

Apesar da história começar com o casal de irmãos, o foco dessa primeira parte está num grupo de pessoas, que se encontram acidentalmente em uma casa aparentemente abandonada. E confinados nela, lutam pelas suas sobrevivências e contra algo que ainda lhes é totalmente desconhecido. O pouco de informações que recebem, vem de um canal de notícias, de uma TV que encontraram dentro da casa, e funciona como um meio de não ficarem totalmente às cegas na situação. Já a segunda parte, continuação da primeira história, está num contexto em que se passaram dez anos desde o aparecimento dos primeiros mortos vivos, e a apresentação é de como esse acontecimento mudou totalmente a vida das pessoas, que agora tem uma nova forma de ver e tratar os seus mortos.

As histórias, tem o foco diferentes uma da outra, mas em ambas o autor procurou levantar uma crítica com relação ao comportamento social humano em situações que o psicológico é levado a uma situação extrema, como nesse caso fictício, um acontecimento apocalíptico. E em casos reais, como vivenciar os horrores de uma guerra. Esses tipos de casos, levam as pessoas a libertarem o que realmente existem dentro delas, sendo este lado bom ou ruim, tornando-se, na última opção, piores até mesmo que os “monstros” pelos quais tentam se livrar. Além disso, o estado de choque, e desenvolvimento de estresse pós-traumático, é comum nessas situações,  uma doença que leva pessoas a se tratarem com medicamentos e consultas psicológicas por anos. Em alguns casos tendo melhoras, mas em outras levando a vítima ao suicídio. 

 

Crédito da foto: Leia com a gente

O livro é uma adaptação do roteiro do filme, mas somente a primeira parte ganhou fama nas telas do cinema. Jonh Russo chegou a filmar e lançar “A volta dos mortos vivos”, mas este não caiu na mesma graça do público. Um fator a ser considerado para o não sucesso da obra, foi o  desentendimento com George Romero (diretor), que chegou a acusar Russo de se apropriar de parte do título do primeiro thriller, em que ambos estavam a frente do projeto.

Devido ao orçamento limitado para produção do filme, os diretores improvisaram tudo o que que conseguiram, afim de não extrapolarem valor que possuíam. Para isso, algumas técnicas foram adotadas, durante a filmagem, como a carne humana devorada pelos zumbis, era presunto assado, e o sangue que ganhou vida nas cenas em preto e branco, não passava de xarope de chocolate. Até mesmo John Russo se transformou num morto vivo, com o intuito de enriquecer o número de walkers nas filmagens.

 

Crédito da foto: Leia com a gente

Comprei e li a edição especial lançada pela Darkside, porque fui atraída pela capa, que aliás ficou ótima. E logo após, assisti ao filme original, de 1968, para enriquecimento de informações e querer prestigiar um longa-metragem que se tornou um clássico. Apesar da tecnologia da época, gostei muito do filme, é sempre bom ver o que inspirou grandes diretores e escritores atuais como Quentin Tarantino e Stephen King. Quanto ao livro, foi melhor ainda, porque a leitura é frenética, faz você se sentir parte dos acontecimentos que os personagens estão vivendo.  

Para os fãs de zumbi, recomendo que assistam ao filme original “A noite dos mortos vivos” (1968), que está em domínio público, “Guerra Mundial Z” (2013), pra quem gosta de zumbis velozes, a comédia “Todo Mundo Quase Morto” (2004), pra quem quer rir e ter uma pegada mais leve do tema. E não poderia faltar, uma das minhas séries favoritas ”The Walking Dead”, que atualmente esta na 6º temporada. Pra quem ainda não começou a ver, “bora” assistir, não perca mais tempo. 

 

Título: A noite dos mortos vivos e a volta dos mortos vivos

Autor: John Russo

Tradução: Lucas Magdiel

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2014

Gênero: Terror

 

Até a próxima Terrófilos!