Perdão, senhor! Pela afronta… pela dúvida… preciso saber. Ser o quê? Grandes coisas não me esperam deus. Ou a morte ou a vergonha eterna. Tua palavra restringiu minhas ações, teus fiéis romperam minha inocência, tua existência arrancou meu livre-arbítrio, teu sacrifício, cordeiro, redimiu meus pecados (pg. 43)

 

Se o seu intuito é ler este livro porque deseja ver cenas de pornografia, sinto muito. Você tem duas opções, mude o seu foco ou abandone a leitura.
Sim, as memórias desse pastor contam sim com cenas de sexo, mas o foco central é outro, a história vai muito além disso.

Ao ler “Ovelha: memórias de um pastor gay” não me senti chocada com o que li, mas sim pensativa. E acredito que pela forma que o autor Gustavo Magnani escreveu, a sua intenção era justamente essa, nos fazer pensar através de uma história bem realista.

Ovelha 1

Crédito da foto: Leia com a gente

 

A escrita é sem “papas na língua”, crua e sem rodeios. A narração é toda em primeira pessoa, feita pelo pastor, personagem principal, onde conta as suas memórias desde que se descobriu gay. Como são memórias, o livro é praticamente um diário, por isso os textos são fragmentados não possui uma linearidade, tanto que alguns capítulos são bem curtos, com uma linha ou apenas uma palavra.

O personagem, que se não me passou despercebido, não foi dito seu nome, compartilha toda sua culpa por viver na dualidade de ser pastor e fazer as sombras tudo o que condena em suas pregações aos fiéis da igreja que pertence, e se mostrar sempre o oposto do que realmente é.

Ela viajava o Brasil, e a América pregando a palavra do Senhor Jesus Cristo. Pregava aos desconhecidos quando o seu próprio filho necessitava mais do que todos. Nunca pregou Cristo pra mim, pregou-me ao Cristo, sem chance de escape ou desamarra (pg. 73)

 

Ovelha 3

Crédito da foto: Leia com a gente

 

O autor faz várias críticas a igreja, a disseminação de preconceitos que preconizam em nome de Deus, através de suas interpretações da bíblia, ao invés do acolhimento e respeito ao diferente.

A todo tempo o personagem vive entre o amor e o ódio em relação a Deus, mas principalmente em relação a sua mãe, que foi quem o inseriu na vida religiosa. E isso me fez pensar na alta porcentagem de responsabilidade que os pais tem naquilo que os seus filhos são e/ou se tornam. Claro que não dá para generalizar, mas não podemos isentar a grande influência que nós pais temos na vida de nossos filhos.

Deus me deu o livre-arbítrio, minha mãe o tirou

 

Ovelha 4

Crédito da foto: Leia com a gente

 

Confesso que não senti empatia pelo personagem, faltou alguma coisa, acho que o autor podia ter se aprofundado mais. Mas isso não me impediu de entender a vida difícil que levou. Me colocar em seu lugar, e pensar em fingir ser uma pessoa que não sou, seria morrer aos poucos. Será que faria o mesmo? Difícil saber, são raras as vezes que conseguimos antever nossas reações diante do medo. Medo se enfrentar quem amamos, a sociedade, os julgamentos e olhares alheios, isso não é fácil. Exige determinação e coragem, não só em relação a sexualidade, mas em tudo na vida.

Para ler esse livro, vai uma dica open your mind and think!

 

Título: Ovelha: memórias de um pastor gay

Autor: Gustavo Magnani

Editora: Geração

Páginas: 232

Ano: 2015

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