“A maioria dos professores aqui em determinado ponto, acreditava que podia fazer a diferença. Eu sei como é importante ter um rumo e também ter alguém que possa ajudar a entender as complexidades do mundo em que se vive, eu mesmo não tive isso quando criança” (Henry Barthes)

Num dia desses assisti a um filme que nunca tinha ouvido falar, mas que aguçou a minha curiosidade após ver uma cena onde um professor falava com os alunos sobre o poder da leitura no desenvolvimento da criticidade de uma pessoa e sua liberdade. Essa cena que dura em torno de dois minutos, foi o suficiente para que eu o buscasse e o assistisse de imediato.

O filme se chama “O Substituto” e pela temática professor  e alunos, me fez lembrar de clássicos como “Meu mestre, minha vida”, “Ao mestre com carinho”, “Mentes Perigosas”, “Escritores da Liberdade”… Ótimos filmes que não me canso de assistir e indico de olhos fechados por serem inspiradores. Mas nesse caso, o filme é diferente. “O Substituto” tem um enredo envolvido por uma aura cinza, melancólica, e apresenta uma realidade triste por trás da vida dos profissionais e alunos da escola.

 

 

O foco central é a vida de Henry Barthes um professor que por opção prefere viver como suplente, ao invés de titular, por não querer se envolver com as pessoas. Ele é contratado para dar aulas de literatura básica como substituto por um período de um mês, e apesar de tentar qualquer tipo de distanciamento, esse tempo é o suficiente para se aproximar das pessoas com quem convive.

“É engraçado que eu perco muito tempo tentando não me envolver, pra não me comprometer. Eu sou professor suplente sem responsabilidade autentica de ensinar, minha responsabilidade é manter a ordem, cuidar para que ninguém mate ninguém na aula, pra poder passar para a série seguinte.” (Henry Barthes)

O filme é narrado em partes pelo próprio personagem, que vai contando seus pensamentos, sonhos, conflitos internos, e impressões das pessoas que trabalham na escola. Dessa forma traz aos telespectadores o olhar para o profissional e nem tanto aos alunos. Mostrar o lado humano do professor, e suas dificuldades fora do ambiente escolar.

 

 

Conflitos de como desenvolver o seu trabalho como profissional sem se envolver com as questões existentes na vida dos alunos? Como não transparecer que os sentimentos daqueles jovens refletem os seus? Como quebrar todas essas barreiras e fazer com que os estudantes aprendam algo no turbilhão de acontecimentos? Essas questões mostram o tamanho do desafio que as pessoas que se propõem a serem professores tem em mãos.

O filme é todo cheio de críticas. Críticas sérias, que merecem atenção e devem ser discutidas dentro e fora da escola. O diretor do filme, Tony Kaye as apresentou de forma criativa, quase uma “brincadeira”. Animações feito com giz branco num quadro negro, mostram uma realidade cruel e triste por trás dos desenhos. (Não deixem passar despercebido essas informações da lousa, são formidáveis)

Um ponto que foi muito enfatizado e me marcou bastante, é a questão da relação dos pais e filhos. É retratado bem rápido em algumas cenas com alunos, mas é bem forte a partir da ótica dos professores. É triste ver como é crescente o número de pais que deixam para a escola, a responsabilidade pela educação básica dos seus filhos. Além da falta de cuidados e atenção. É algo desconcertante, porém real nos dias atuais.

 

 

Logo no início do filme, algumas pessoas reais dão seu depoimento de como chegaram a ser professores, e muitos deles mostram que não foi por vocação e amor, mas sim, por dinheiro, falta de opção. Com isso, acredito que o diretor quis trazer um questionamento para nos fazer pensar “O professor esta preparado para dar aulas?”.

Em suma é um filme extraordinário, que nos faz refletir sobre a importância do professor. E que por trás do profissional existe um ser humano com problemas reais, sentimentos reais, que não deixam de existir quando se pisa em sala de aula.

Recomendo essa obra de olhos fechados, e confesso que entrou fácil para a minha lista de ótimos filmes. Super recomendo e garanto que valerá muito a pena assisti-lo. Fará com que não saiam os mesmos da sala.