“Uma diaba ia de casa em casa e perguntava: – Onde está minha filha? Não a encontro. Vocês viram minha filha?” (pag.5)

Olá Bibliófilos!

Hoje vou falar de um livro que me deixou um tanto intrigada. O que me chamou a atenção, num primeiro momento foi a capa, que é linda demais, em seguida o título que a princípio me pareceu indicar uma história de terror. Mas ao ler a sinopse qual não foi minha surpresa ao constatar que se tratava de um livro infantil!

A diaba e sua filha é um livro bem curtinho, na verdade um conto, escrito pela autora francesa Marie Ndiayne e publicado pela editora CosacNaify, o que explica todo o capricho da edição. o livro tem muitas ilustrações que permeiam a história e se misturam a narrativa. A edição traz ainda uma belo prefácio da escritora Mia Couto.

Crédito da foto: Leia com a gente

Histórias para o público infantil, em geral, tem como premissa a simplicidade e temas relacionados ao universo das crianças, mas tal simplicidade pode, por vezes, esconder intenções mais complexas como ensinamentos que o autor pretende passar de maneira lúdica. E é isso que acontece em A diaba e sua filha, uma fábula simples cuja mensagem alcança não só crianças, mas adultos também.

A trama nos conta a história de uma mulher que sai todas as noites batendo de porta em porta do vilarejo onde mora a procura de sua filha desaparecida. A mulher não consegue se lembrar como ela desapareceu, sabe apenas que um dia ela não voltou para casa.

“A diaba não tinha casa.(…). A casa desapareceu junto com a criança. A diaba não sabia como. Simplesmente aconteceu.”(pag. 18)

Em sua peregrinação, noite após noite, as portas das casas se abrem para a mulher, e os moradores ao se deparar com um rosto agradável de se ver a recebem comovidos com sua aflição mas logo mudam de atitude ao notarem que a mulher possui cascos no lugar dos pés. O pavor toma conta das pessoas e a mulher passa a ser chamada de “diaba”.

Crédito da foto: Leia com a gente

A história da diaba que procura sua filha toca em um assunto delicado e presente em nossa sociedade: a intolerância pelo que é diferente. Porque somos assim? Porque afastamos tudo que nos é estranho e passamos a rotular o diferente como algo ruim, desagradável ou perigoso? São reflexões pertinentes e que estão presentes em nosso dia-a-dia.

“Não havia piedade possível para a diaba, tão logo percebiam que seus pés não eram como os dos humanos.” (pag.14)

De maneira lúdica a autora usa a história da mulher tida como uma diaba apenas pelo fato de ter pés diferentes para nos fazer pensar sobre como podemos ser cruéis com pessoas que nada nos fizeram mas que por algum motivo, seja estético, comportamental ou apenas por uma opinião diferente não se encaixa no considerado “padrão normal”.

“A diaba não sabia sequer porque tinham medo dela.”(pag.12)

O fato de o livro ser infanto-juvenil é legal por já ter ideias tão esclarecedoras para pessoas que têm preconceito com o diferente, ao mesmo tempo que é acolhedor para quem não se adequa ao padrão e é tratado diferente por esse motivo. É o tipo de leitura que contribui muito para mudar sua visão de mundo e começar a enxergar as coisas sob ângulos diferentes.

Crédito da foto: Leia com a gente

Se você tem filhos, leia para eles. Se não tem, leia para você mesmo, garanto que dentro dessas 40 páginas se esconde uma grande lição.

Até a próxima Bibliófilos, e continuem lendo com a gente!

Ficha Técnica

Título: A diaba e sua filha
Autora: Marie Ndiaye
Ilustradora: Nadja
Editora: Cosac Naify
Ano: 2011
Gênero: infanto-juvenil
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