Sentia as habituais borboletas batendo asas em seu estômago, ao mesmo tempo que o frio da adrenalina percorria seu corpo como uma serpente inquieta. Fecha os olhos, aspira e solta o ar lentamente. Um rito que não dispensa antes de iniciar o trabalho. Adora a sensação!

Ela desce da limusine e segue para a entrada do suntuoso Castelo de Avalon, por onde entra sem complicações com um convite falsificado. A festa que reunirá os milionários da região paulista, é de encher os olhos e esbanja luxo nos pequenos detalhes.

Se passando por uma herdeira da linhagem Lambertini, não poupa simpatia e elegância ao interagir com a nata paulistana, que se rende aos encantos da exuberante mulher de pele bronzeada, mexendo com a imaginação masculina em seu provocante longo azul.

Mas ela estava ali por um motivo, e faria qualquer coisa para conseguir. Não brinca em serviço. Foi assim que se tornou uma ladra de sucesso, sem qualquer suspeita.

Roubaria parte da fortuna do atraente bilionário Carlos D’Ávila, mas para isso precisava do código de acesso que estava gravado no globo ocular do dono da maior companhia aérea internacional.  Suas lentes de contato capturariam as informações, mediante a uma curta distância capaz de sincronizar os olhares por cinco segundos.

Não foi difícil se aproximar do bilionário, tinha fama por não resistir a uma bela mulher. O problema estava em manter o flerte, pois a todo o momento ele era requisitado, e tinha que disputar sua atenção com outras pessoas.

Ela estava impaciente. Perdia as rédeas da situação. Precisava agir rápido, ou então, adeus planos. Seu coração parecia uma locomotiva, o ar não passava pela garganta. Pela primeira vez não sabia o que fazer, e temeu o fracasso.

Foi quando avistou D’Ávila sendo liberado de uma longa conversa do lado oposto do salão. Ele prometera voltar para que continuassem a conversa, mas achou melhor não correr o risco de ter outros inconvenientes. Saiu do local onde estava, e conteve-se para não correr como uma louca naquele espaço infinito, em busca da sua oportunidade. Felizmente foi rápida o suficiente para interceptá-lo no meio do caminho.

Deixou que seu instinto agisse por si, puxou o bilionário pelo smoking, e o arrastou para trás de uma pilastra colossal, onde não poderiam ser vistos. Empurrou-o de costas para a parede e antes que ele pudesse pensar, enroscou seu corpo junto ao dele, e o beijou com tamanho vigor e sensualidade, que o deixou totalmente desnorteado. Não sendo suficiente, escorregou sua mão sem cerimônia sobre a parte íntima de sua presa, e o acariciou sem nenhum pudor. Em resposta ao ato inesperado, D’Ávila arregalou os olhos espantados e encontrou os olhos da felina que o encarava com tamanha intensidade, enquanto o ainda beijava.

“Uau” pensou ele atônito.

“Xeque-mate” pensou ela vitoriosa.

 

***Todas as informações contidas neste conto trata-se de uma ficção***