“Não haveria perdão. Não haveria clemência. Só sangue e fogo. (Pecado original, pg. 77)

Quando coloquei os olhos na “Coleção Funesto” da Editora Estronho, não havia a mínima possibilidade de não ler e ter esses livros na minha estante. Espaço que aliás, tem um coração grande e sempre cabe mais um… dois… três… Enfim, a questão é que não passei vontade, e praticamente os devorei quando chegaram.

A coleção recebeu o nome que a define perfeitamente. São contos sombrios que mexem com a imaginação e perturbam a mente do leitor.

Todos os textos foram escritos, e muito bem escritos, somente por mulheres. Assim como eu, fãs do lado sombrio na literatura, o que me deixou muito orgulhosa.

Fora esse ponto, a qualidade dos livros é excelente. Orelhas maiores que o padrão, papel pólen, citações…  detalhes que fazem diferença e deixa claro a consideração que a Estronho teve com o seu leitor.

Conheci a editora por acaso, “passeando” pela internet, e desde a primeira compra ganhou o meu respeito.

Se você faz parte desse público aficionado por terror e horror, vale a pena conhecer!!! 

Crédito da foto: Leia com a gente

“Percebi que não notavam a minha presença, a não ser por uma criança negra que não parava de chorar. Devido a isso, tive coragem de chegar mais perto e comprovei que o banquete era algo inenarrável…” (A Fazenda, pg. 26)

“Insanas: elas matam!” é o primeiro livro da “Coleção Funesto” e traz 13 contos de autoras que não pouparam esforços para arrepiar os fios de  cabelos de seus leitores.

Insanas traz como protagonistas somente mulheres, que quebram o estereótipos de “sexo frágil”, e provam que podem ser perigosas e maquiavélicas quando necessitam ou simplesmente querem. Insanidades também podem ser cometidas por elas.

Horror, dor e sofrimento permeia todo o enredo das antologias. Muitas cenas causarão pavor e posso dizer até repulsa a imaginação do leitor, pois serão fortes.

Todos os contos são muito bem escritos, mas sempre tem aquele que se torna o nosso preferido, que mexe com o nosso interior. De uma forma boa ou ruim. E nesse livro a antologia “A FAZENDA” da autora Alma Kazur foi chocante!

“A Fazenda” conta a história vivida por Rica, um fotógrafo que em 1985 partiu para Pernambuco a fim de encontrar personagens marcantes para suas lentes. Em suas andanças chegou a uma cidade simples de Recife, e nela se deparou com uma suntuosa casa de fazenda que contrastava em meio as casas locais. Cansado e precisando de um local para pernoitar, o viajante decidiu pedir abrigo aos moradores da mansão. Mas se pudesse prever o que estava por ver, jamais teria batido naquela porta.   

 O conto é horror puro… super indico!

Crédito da foto: Leia com a gente

“Ela olhou para o filho e sentiu medo. Sabia que era uma mentira, tinha de ser. Crianças sempre inventam coisas no armário ou debaixo da cama. Mas procurando nos olhos do filho, não encontrou a mentira.” (Mudanças, pg. 89)

“Malditas: as casas têm atmosfera” é o segundo livro da coleção e trata de uma temática comum, mas que mete medo em muita gente, inclusive a mim.

Sempre acreditei que dentro de uma casa permeia a energia de seus donos. Se coisas boas aconteceram no local, sua atmosfera será boa, mas se más…  não precisa nem dizer não é?!  

Casas são palcos de atos humanos ou inumanos, e a partir daí surgem boatos ou não de casas mal-assombradas. Acontecimentos estranhos em determinadas moradas, aparições de pessoas que já se foram deste mundo, entre tantas outras coisas.

E foi com essa visão misteriosa e sombria, que li “As Malditas”. O livro possui 7 contos com o lado dark das casas, e faz com que o leitor se sinta preso dentro dessas construções sinistras.

Alguns contos são assombrosos, outros angustiantes, mas no final todos eles fazem jus ao significado funesto.

A antologia neste volume que me fez arrepiar foi  “MUDANÇAS” da autora Priscilla Rúbia. Nele uma família se muda para uma casa maior. Felizes esperam ter uma vida melhor e com mais conforto, já que a matriarca esta grávida de seu segundo filho. Porém a casa guarda um segredo, e acontecimentos estranhos transforma a vida de todos num pesadelo. 

Ótimo conto. Traz o meu tipo preferido de terror. O psicológico.

Crédito da foto: Leia com a gente

“Os pés descalços sentiam a gosma fria: essência morta dos seus.” (Trilhas de sangue, pg. 103)

No terceiro livro “Elas: cruéis” são 11 antologias que não tem uma temática específica, como no segundo volume, mas que foram escritas justamente com o intuito das autoras libertarem o lado cruel de suas mentes. 

Sangue, gritos e muito horror fazem parte dos enredos, deixando qualquer fã do gênero de horror  de cabelo em pé, mas sem querer largar a leitura.

Neste volume a antologia “TRILHAS DE SANGUE” da autora Carolina Mancini foi a minha favorita. Nele traz a história de Anahaí, uma índia icamiaba que possui o dom da visão do futuro entre as índias. É através desse dom que ela consegue direcionar as índias guerreiras nas batalhas contra o homem branco, na luta em defender o seu território. Mas num determinado momento, Anahaí é capturada por quatro bandeirantes e mantida prisioneira no acampamento inimigo. Dia após dia ela vê suas irmãs serem capturadas devido a sua ausência na aldeia. Mas é através do coração egoísta de um homem que ela encontra a sua oportunidade de vingança. 

Esse conto fecha com chave de ouro a “Coleção Funesto” provando que mulher também é capaz de atos e imaginação cruel quando necessário ou quer.

 

Fica aqui a dica dessa coleção sensacional para todos Terrófilos de coração.

Até a próxima…