[RABISCOS] Mensagem ao meu eu (Gislaine Melo)

Estou na onda de assistir filmes “fofíneos”. A nossa mente já é tão bombardeada com coisas ruins a maior parte do tempo, que quando posso escolher, prefiro assistir coisas que me dão prazer ou traga algo positivo.

Assisti por esses dias o filme que se chama “Para todos os garotos que já amei”, adaptação da série de livros que possui o mesmo nome, escritos por Jenny Han. Não li os livros, por isso não posso dizer nada sobre eles, mas o filme… o filme é um mimo!!!

A produção em si, não tem nada de fantástica. Achei até que as trilhas sonoras nos momentos adequados poderiam ter sido melhores, mas isso não impediu de o filme continuar sendo uma graça.

O plot é simples. Uma adolescente que escreve uma carta para cada garoto que já se apaixonou, e as mantem guardadas numa caixa em que somente ela tem acesso. De alguma forma essas cartas vão parar nas mãos desses rapazes, e aí inicia a história.

Sim, de certa forma o filme é clichê. É possível prever boa parte do que vai acontecer, mas eu pergunto e daí? Ele deixa de ser interessante por conta disso? Claro que não! O intuito é saber como vai acontecer e principalmente me divertir.

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[CONTO] Dia de Festa (Michele Lebre)

“Por você, faria isso mil vezes.” (Khaled Hosseini)

 

Abro os olhos e sinto a claridade entrando no quarto. Ainda é cedo, então me permito permanecer um pouco mais deitada, afinal será um longo dia. Hoje eu completo 100 anos de vida. Nada mau para uma imigrante que chegou a esse país aos 14 anos de idade trazendo apenas esperança na bagagem.

 

A adaptação foi difícil, eu sei. O trabalho na lavoura de café no interior de São Paulo era duro, mas a educação japonesa não me permitia reclamar. Fui criada para obedecer, e assim eu fiz até que aos 17 anos conheci Jorge e a menina submissa que existia em mim foi dando lugar a mulher determinada que me tornei.

 

Com alguma dificuldade pego o porta-retratos na cabeceira da cama e acaricio a fotografia em preto e branco. Olho para o casal sorridente, com aquele brilho nos olhos que só os apaixonados têm. Uma lágrima escorre pelo meu rosto enrugado.Continue lendo

Maldita seja a sua presença

Não te quero aqui e nem agora

Por que insiste em me atormentar?

Não tem outras almas para perturbar?

Não te quero aqui… não por isso

 

Se pudesse te agarraria e te colocava fora,

Mas você é um intruso sem tempo certo para partir

 

Por que faz isso?

Se compraz com tal maldade?

Fazendo-me querer o que não posso ter

O que ganha com isso?

Não te quero aqui…

Não agora e nem por isso

[CONTO] Nome na lista (Michele Lebre)

 

“Na política não há amigos, apenas conspiradores que se unem.”
― Victor Lasky

 

 

– E na quarta-feira reuniremos a base aliada para selar esse acordo. Claro, claro, eu ligo para vossa excelência assim que tiver notícias. Um abraço. – põe o telefone no gancho.

 

– Deputado Antunes, preciso falar com o sr., é urgente!

 

– Mas o que é isso Jorge, ficou maluco, entrando assim sem se anunciar? E se eu estivesse tratando de algum assunto sigiloso!

 

– Deputado, perdoe-me, mas é muito urgente.Continue lendo

[CONTO] O quadro (Michele Lebre)

“Como a noite, ela caminha em beleza,
De tempo aberto e céu estrelado.”
— Lord Byron

Ao adentrar a casa teve certeza que era perfeita. Luz natural, arejada e o mais importante: a vista para o mar. Pedro adorava o mar e aquela praia quase deserta no sul da Bahia lhe daria o que mais precisava naquele momento: inspiração.

Já fazia dois anos desde o lançamento de seu último livro, o quarto de uma sequência de sucessos, e desde então não conseguia mais escrever, estava com um bloqueio criativo pelo qual nunca havia passado. Seu editor já estava pressionando-o, sentia-se sufocado e precisava voltar a ser o bom e velho Pedro Monestel, escritor best-seller. A esposa e os gêmeos tiveram que aceitar que ele precisava desse refúgio, longe de tudo e de todos.

Foi então que reparou no quadro pendurado na parede do quarto. Tinha cores fortes e retratava uma bela mulher, de longos cabelos negros, pele bronzeada e olhos amendoados. Vinha caminhando em direção a praia, saindo do mar.

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