[RESENHA] Sonho Febril (George R. R. Martin)

“York levantou a cabeça, e os dois olhares se cruzaram. Até cumprir o resto de seus dias, Abner Marsh relembraria aquele momento, aquela primeira vez em que olhou dentro dos olhos de Joshua York.” (p.8)

 

O mito do vampiro existe em muitas culturas, das mais variadas civilizações. Lendas sobre criaturas imortais, que vagueiam na escuridão da noite à procura de vítimas para aplacar sua sede de sangue estão presentes no imaginário popular e reflete-se também na literatura.

Quem nunca ouviu falar do famoso Conde Drácula, retratado por Bram Stoker, do sedutor Lestat, criado por Anne Rice chegando até aos representantes mais recentes como Edward Cullen, da saga Crepúsculo ou Damon e Stefan, os charmosos irmãos Salvatore da série Diários de um Vampiro?

Pois esqueça tudo o que você já viu, leu ou ouviu falar sobre vampiros. Ao escrever Sonho Febril, o autor George R. R. Martin consegue uma proeza e tanto: desconstruir o mito do vampiro para criar algo diferente de tudo o que você já viu. Prontos para mergulhar nesse universo tão singular criado por Martin? Continue lendo

[RESENHA] Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

 

– Você nunca lê nenhum dos livros que queima?
– Não, isso é contra a lei!
– Aha, é claro. Mas é verdade que antigamente os bombeiros apagavam incêndios em lugar de começá-los?

 

Tente imaginar um mundo em que os livros sejam considerados uma ameaça ao sistema e portanto absolutamente proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros – profissionais que antes se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando livros e impedindo que o conhecimento se dissemine entre a sociedade como uma praga. Esse é o universo distópico criado pelo escritor norte-americano Ray Bradbury (1920-2012) em uma das mais belas e conhecidas obras de ficção científica.

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“O tempo cura tudo”

Será mesmo que o tempo pode curar todas as feridas? Será que você pode levar uma vida normal, depois de passar por diversos traumas? Será que é possível esquecer?

Esse livro é um “tapa na cara” de todo o leitor. Um verdadeiro “chacoalhão” de realidade, que nos faz enxergar a magnitude do problema. Pra mim, foi impossível não me sentir incapaz, indignada e quase não me sufocar no ódio que engoli. Afinal de contas, ouvir sobre pedofilia é uma situação, mas você ver a coisa com os próprios olhos, é totalmente diferente. E foi essa a sensação que tive ao ler “Inocência perdida”.

Felipe é o narrador e protagonista da história. Um menino de 13 anos que cresceu no abrigo São Marcos junto com outros meninos que assim como ele foram abandonados, ou são órfãos.

O garoto apesar de se sentir feliz no meio dos seus amigos, e dos padres que os criam e educam, não consegue deixar de lado a tristeza que às vezes o invade, por não ter uma família tradicional, com pai, mãe e irmãos. Mas o menino procura não fazer disso um problema, e vive no orfanato da melhor forma, porque afinal de contas, eles são sua família.

Distante dali existe Tobias, um garoto que cresceu correndo na fazenda de Fábio Albuquerque, um grande fazendeiro da região de Mato Grosso, e também sofreu a infelicidade do abandono. O garoto foi encontrado ainda bebê num campo, nas terras da família Albuquerque, que desde então, o criaram, e deram a eles um lar.

Por ironia ou surpresas do destino, devido a mudanças que ocorrem na vida da família Albuquerque, Tobias chega ao orfanato onde mora Felipe, que ao se conhecerem têm suas vidas unidas num simples olhar, pois é como se estivessem vendo suas imagens num espelho. Esse encontro levará ambos a grandes descobertas e mudanças, incluindo a família Albuquerque.

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[RESENHA] Lugar Nenhum (Neil Gaiman)

“- Meu jovem, você precisa entender uma coisa. Existem duas Londres: a Londres de Cima – onde você morava – e a Londres de Baixo – o submundo – habitada pelas pessoas que caíram pelas fissuras do mundo. Agora você é uma delas.”

 

Lugar Nenhum foi meu primeiro contato com o escritor Neil Gaiman e foi amor à primeira lida ! Este é um dos primeiros romance do autor, talvez por isso não seja tão conhecido. Uma curiosidade que descobri pesquisando é que Lugar Nenhum foi lançado inicialmente como uma minissérie para a TV britânica e posteriormente, Gaiman resolveu escrever a história em forma de romance.

Na trama, Richard é um jovem escocês que vai morar em Londres em busca de oportunidades melhores, lá ele consegue um emprego, uma linda noiva e um amigo para todas as horas. Richard é um jovem normal com um futuro promissor, mas em uma determinada noite sua vida vira de cabeça para baixo, literalmente. Ao socorrer uma estranha jovem na rua algo inusitado e surreal acontece, Richard começa a ficar invisível, não no sentido literal, mas as pessoas que ele conhece passam a simplesmente não enxergá-lo, é como se ele tivesse deixado de existir.

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[RESENHA] Marina (Carlos Ruiz Zafón)

 

“Marina me disse um dia que a gente só se lembra do que nunca aconteceu. Ainda ia passar uma eternidade antes que eu pudesse compreender essas palavras.”

 

Marina, publicado originalmente em 1999, foi minha primeira leitura do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón e desde então me tornei fã do autor. Já li alguns de seus livros, mas Marina é, sem dúvida, o meu preferido.  Resenhar suas obras não é uma tarefa fácil, pois é muito difícil transcrever em palavras as sensações que sua escrita causa no leitor.

A trama gira em torno do jovem Oscar, que vive em um colégio interno em Barcelona e passa todo o seu tempo livre explorando as ruas da cidade, apreciando as estruturas dos antigos casarões. Em um desses passeios, ele é atraído por um gato para dentro de um casarão antigo e lá acaba conhecendo a doce e misteriosa Marina, que vive com seu pai, o amargurado Germán.

Uma forte amizade surge entre os dois, que passam a se encontrar com frequência em passeios pelos bairros antigos da cidade e é num desses passeios que o caminho dos dois cruza com o de uma mulher vestida de preto, uma figura sinistra e misteriosa que visita o antigo cemitério todos os dias. Oscar e Marina passam então a seguir a mulher e acabam esbarrando em um segredo tão antigo quando assustador. Paralelo a esse suspense existe ainda a relação entre Oscar e Marina, com diálogos fortes e encantadores.

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