O amor se inflama, morre, se quebra, nos destroça, se reanima…. nos reanima. O amor talvez não seja eterno, mas a nós ele torna eternos…

 

Sabe aquelas histórias que te prende de tal forma, que você só consegue parar de ler quando chega ao fim? Pois é, foi isso que aconteceu com a leitura de “Azul é a cor mais quente”.

A HQ escrita e desenhada pela autora Julie Maroh traz de uma forma muito bonita e delicada o amor entre duas garotas, Clementine e Emma. Toda a narrativa é feita através das confidencias escritas por Clem em seu diário, que é lido por Emma.

Clementine conta tudo o que acontece em sua vida, desde a adolescência até a idade adulta. Seus medos, frustrações, dúvidas e desejos, e tudo tão intenso que o leitor se aproxima da personagem, e vive junto com ela cada sentimento.

 

Crédito da foto: Leia com a gente

Clem leva uma vida comum de adolescente. Mora com os pais e está terminando o ensino médio, e tudo caminha em sua rotina até seus olhos se cruzarem com os de Emma, a garota de cabelo azul. A partir desse momento, toda a sua comodidade vira de ponta cabeça, e ela vê a necessidade de se descobrir.

O enredo é dramático, mas não de um jeito ruim. A autora transmiti ao leitor a aflição e angústia sentida pela personagem em suas crises de identidade ao ter a consciência de que esta apaixonada por outra garota, o que a faz se sentir anormal.

Eu me sinto perdida, sozinha, no fundo de um abismo. Não sei o que fazer, e tenho a impressão de que tudo o que eu faço nesse momento é antinatural.”

 

Crédito da foto: Leia com a gente

 

Emma é o oposto de Clem. Mais velha e assumida com a sua opção sexual, é uma garota mais segura, e por isso não se importa com o que as outras pessoas pensam em relação a sua pessoa e escolhas. Tem o apoio de sua família, ao contrário de Clem, que sofre rejeição por seus pais.

A HQ trata de descoberta e relacionamento, e o quão duro as vezes esse processo pode ser na vida de uma pessoa. Amadurecer numa relação a dois requer cuidados, paciência, e mesmo existindo amor, nem sempre as coisas serão da forma que se espera. E saber lidar com tudo isso é o ponto crítico a ser descoberto.

Foi naquele momento que alguma coisa começou a crescer: o meu desejo por ela. O desejo de estar nos braços dela, de acariciá-la, beijá-la, de que ela quisesse isso também, de que ela me quisesse.

Crédito da foto: Leia com a gente

DA HQ PARA AS TELONAS

O filme inspirado no quadrinho, chegou as telas do cinema em 2013. O homônimo dirigido por Abdellatif Kechiche teve sua obra aclamada, mas também criticada, muito pelas cenas explícitas de sexo.

Interpretando a personagem Clementine, a atriz francesa Adèle Exarchopoulos fez a sua estreia na telona, em parceria com a atriz Léa Seydoux, interpretando Emma.

A filmagem realizada com foco nos rostos dos atores, tem o intuito de captar suas expressões e aproximá-los do telespectador. Além disso, para manter a naturalidade, Kechiche praticamente não utilizou maquiagem e cabeleireiro nas atrizes, mantendo a essência das jovens.

Quando a Emma me fez aquela pergunta, eu sabia o que responder. Eu sei o que quero. Mas assumir é uma coisa totalmente diferente.

Crédito da foto: Leia com a gente

 

A HQ é linda. Os traços nas cores cinza e azul, a deixaram delicada, mas com uma aura melancólica, acompanhando as nuances do relacionamento.

Entre as duas versões, eu fico com a graphic novel,  sem desmerecer o filme.

 

Sobre a autora

Julie Maroh, escritora e ilustradora francesa de romances gráficos, nasceu em 1985 em Lens, Pas-de-Calais, escreveu “O Azul é a cor mais quente” sobre a vida e o amor de duas jovens lésbicas, que foi adaptada no filme premiado com o mesmo título, dirigido por Abdelatif Kechiche.

Depois de ter obtido o diploma em artes aplicadas na E.S.A.A.T (Ecole Supérieure des Arts Appliqués et du Textile) em Roubaix, Maroh continuou seus estudos em Bruxelas, onde viveu por oito anos. Ela obteve dois diplomas lá, em Artes visuais (opção de quadrinhos) no Institut Saint-Luc e em Litografia / Gravura na Académie Royale des Beaux-Arts de Bruxelas.

A autora começou escrever “Azul é a cor mais quente” quando tinha 19 anos e demorou cinco anos para completá-lo.

 

 

Fica aqui a dica de uma HQ linda que vale muito a pena ler!

Até a próxima Bibliófilos!!!

Título: Azul é a cor mais quente

Título original: Le bleu est une couleur

Tradutor: Marcelo Mori

Autora: Julie Maroh

Ano: 2013

Editora: Martins Fontes

Páginas: 160

Gênero: Drama