[CONTO] Xeque-mate (Gislaine Melo)

Sentia as habituais borboletas batendo asas em seu estômago, ao mesmo tempo que o frio da adrenalina percorria seu corpo como uma serpente inquieta. Fecha os olhos, aspira e solta o ar lentamente. Um rito que não dispensa antes de iniciar o trabalho. Adora a sensação!

Ela desce da limusine e segue para a entrada do suntuoso Castelo de Avalon, por onde entra sem complicações com um convite falsificado. A festa que reunirá os milionários da região paulista, é de encher os olhos e esbanja luxo nos pequenos detalhes.

Se passando por uma herdeira da linhagem Lambertini, não poupa simpatia e elegância ao interagir com a nata paulistana, que se rende aos encantos da exuberante mulher de pele bronzeada, mexendo com a imaginação masculina em seu provocante longo azul.

Mas ela estava ali por um motivo, e faria qualquer coisa para conseguir. Não brinca em serviço. Foi assim que se tornou uma ladra de sucesso, sem qualquer suspeita.

Roubaria parte da fortuna do atraente bilionário Carlos D’Ávila, mas para isso precisava do código de acesso que estava gravado no globo ocular do dono da maior companhia aérea internacional.  Suas lentes de contato capturariam as informações, mediante a uma curta distância capaz de sincronizar os olhares por cinco segundos.

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“O tempo cura tudo”

Será mesmo que o tempo pode curar todas as feridas? Será que você pode levar uma vida normal, depois de passar por diversos traumas? Será que é possível esquecer?

Esse livro é um “tapa na cara” de todo o leitor. Um verdadeiro “chacoalhão” de realidade, que nos faz enxergar a magnitude do problema. Pra mim, foi impossível não me sentir incapaz, indignada e quase não me sufocar no ódio que engoli. Afinal de contas, ouvir sobre pedofilia é uma situação, mas você ver a coisa com os próprios olhos, é totalmente diferente. E foi essa a sensação que tive ao ler “Inocência perdida”.

Felipe é o narrador e protagonista da história. Um menino de 13 anos que cresceu no abrigo São Marcos junto com outros meninos que assim como ele foram abandonados, ou são órfãos.

O garoto apesar de se sentir feliz no meio dos seus amigos, e dos padres que os criam e educam, não consegue deixar de lado a tristeza que às vezes o invade, por não ter uma família tradicional, com pai, mãe e irmãos. Mas o menino procura não fazer disso um problema, e vive no orfanato da melhor forma, porque afinal de contas, eles são sua família.

Distante dali existe Tobias, um garoto que cresceu correndo na fazenda de Fábio Albuquerque, um grande fazendeiro da região de Mato Grosso, e também sofreu a infelicidade do abandono. O garoto foi encontrado ainda bebê num campo, nas terras da família Albuquerque, que desde então, o criaram, e deram a eles um lar.

Por ironia ou surpresas do destino, devido a mudanças que ocorrem na vida da família Albuquerque, Tobias chega ao orfanato onde mora Felipe, que ao se conhecerem têm suas vidas unidas num simples olhar, pois é como se estivessem vendo suas imagens num espelho. Esse encontro levará ambos a grandes descobertas e mudanças, incluindo a família Albuquerque.

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[CONTO] O segredo de Vitória (Gislaine Melo)

Vitória desde que se entendia por gente, sabia que tinha um problema. Segundo o diagnóstico de um dos médicos pelos quais passou, era portadora da doença chamada “dead colors”. Uma anomalia rara, que fazia com que as informações captadas pela sua retina, não fossem interpretadas corretamente pelo cérebro, fazendo com que ela enxergasse o mundo sem cor, e os seus olhos fossem apenas de um branco fantasmagórico, o que lhe dava uma aparência estranha. 

 

A doença não lhe incomodava, afinal de contas nasceu assim. O que realmente lhe incomodava era a cara de pena com que alguns a olhavam. Os cochichos e zombarias que ouvia nos corredores do colégio. Cabra-cega” era o apelido que mais lhe irritava. Pessoas sabem ser maldosas quando querem.

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Olá Terrófilos!!!

 

É impossível falar do livro, sem trazer o que o gerou. Ou seja, o filme “A Noite dos Mortos Vivos”, que nada mais é do que um clássico do gênero terror. Considerado um grande sucesso depois da sua estreia no cinema americano, em 1968. A produção desse primeiro filme, realizado com baixo orçamento, faturou milhões dentro e fora do EUA, se tornando referência dos clássicos terror cult. Foi considerado um divisor de águas do gênero, e causou um certo alvoroço na época, tendo sua exibição quase impossibilitada de acontecer, por conter cenas consideradas explícitas de violência e morte. Segundo o autor da obra, John Russo, a inspiração do roteiro surgiu de clássicos pelos quais era fã, como Drácula, Frankenstein e Lobisomem, mas principalmente por estar cansado de ver filmes que considerava ruins, e que o deixavam frustrado, porque os monstros nunca apareciam por completo, e as cenas que deveriam ser as mais horripilantes, eram cortadas.  

O livro está divido em duas partes, “A noite dos mortos vivos” e “A volta dos mortos vivos”. A primeira inicia com dois irmãos, Johnny e Bárbara, que no filme são interpretados por Russel W. Streiner, sendo ele um dos produtores, e pela atriz Judith O’Dea, que partem de carro a caminho da região rural da Pensilvânia, com o intuito de chegarem ao cemitério local e visitarem a sepultura do pai, falecido já há alguns anos. Por se perderem durante o caminho, eles chegam ao destino já no começo da noite, e é dentro deste cenário clássico de terror, que o leitor tem o contato inicial com um morto vivo. A cena é bem previsível logo nas primeiras páginas, e funciona mais como um ponto para o desenrolar do enredo.   

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[RESENHA] A vingança da amante (Tamar Cohen)

Vou tomar o que é seu. Do mesmo jeito que você me tomou o que era meu. E não vou olhar para trás.

Olá Bibliófilos!!!

A história começa do nada, é como se você tivesse caído de paraquedas numa mata fechada e escura, e já no chão, tenta se nortear com o intuito de descobrir onde está, para onde vai, o que aconteceu. É assim que a autora faz com que o leitor se sinta logo nas primeiras páginas do livro, meio perdido. Mas isso, não é porque o texto não tenha coerência, ao contrário, tudo é proposital, e com o caminhar da leitura você terá o entendimento do enredo.  

Quem nos conta a história é Sally, a personagem central. Uma mulher em torno dos seus quarenta e poucos anos, jornalista freelance, casada com Daniel, com quem teve um casal de filhos. Levava uma vida comum com sua família, até se envolver com Clive, dono de uma gravadora, também com dois filhos, e casado com Susan, com quem possui uma vida social e econômica mais elevada, e juntos são considerados exemplos de casal perfeito, perante os olhos da família e amigos, sendo até mesmo invejados por estes.  

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