“Você é o criador do seu próprio mérito. Aconteça o que acontecer, você merece!”

 

Olá Bibliófilos,

 

Todos nós, em algum momento da vida, já ouvimos a expressão que diz que você só obterá vitórias na vida por mérito próprio. Batalhamos, estudamos, nos esforçamos com o objetivo de merecer nossas conquistas não é mesmo? Mas, e se o nosso mérito não dependesse apenas de nós mesmos, mas sofresse influências externas e até mesmo manipulações? Será que conseguiríamos o que desejamos mesmo assim? Ou a meritocracia é apenas uma ilusão?

Hoje quero compartilhar com vocês minhas impressões sobre uma série cuja estreia fez muito barulho na internet: 3% (3 por cento). As expectativas eram altas não só pelo fato de ser a primeira série original brasileira produzida pela Netflix mas também pelo fato de se tratar de uma distopia, ou seja, para os padrões nacionais seria como navegar em mares desconhecidos. O resultado?, confira o post completo e o melhor de tudo: sem spoilers, eu garanto!

A ideia original de 3% nasceu em 2009 a partir de um episódio piloto independente lançado no Youtube. Em 2015 a ideia foi resgatada pela Netflix que investiu na produção de uma primeira temporada com 8 episódios sendo lançada em novembro de 2016.

“Todos têm a mesma chance, e depois… o lugar que merece.” (Ezequiel)

3% – personagens

 

A trama

Mas vamos a história! Somos apresentados a um mundo pós-apocalíptico, num futuro onde o planeta parece ter sido devastado por alguma catástrofe. Nosso cenário é algum lugar não especificado no que restou do Brasil, onde a sociedade é dividida entre os que vivem no Continente – 97% da população – um lugar miserável, onde falta água, comida, energia e todos os demais recursos básicos para a sobrevivência e Maralto – 3% de uma minoria privilegiada – onde todos podem desfrutar de abundância e uma vida digna. Aos 20 anos de idade, todo cidadão do Continente tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de ir viver em Maralto, mas somente 3% dos candidatos são aprovados nessa seleção, que testa os limites dos participantes em provas físicas e psicológicas, e os coloca diante de dilemas morais.

 

Li algumas críticas sobre 3% reclamando que o mote da história é batido e que é inspirada em franquias de sucesso como Jogos Vorazes, Divergente, Maze Runner, e por aí vai. Eu, particularmente, acho esse tipo de argumento injusto, pois todas as distopias, sejam filmes, séries ou livros partem da mesma premissa: um cenário pós-apocalíptico, onde a maioria da população vive uma vida de privações e sofrimentos, sob o domínio de uma minoria que concentra todos os benefícios para si. O que vai dizer se a história é boa são os argumentos desenvolvidos a partir disso, se há elementos originais, se a história prende, enfim, tudo o que vem depois e nisso posso dizer que 3% não decepciona.

 

3% – personagens

Os personagens

A cada episódio acompanhamos os personagens principais nas provas e vamos conhecendo a história pregressa de cada um deles através do recurso de flashbacks. As histórias pessoais de cada um nos levam a começar entender que nessa sociedade nada é o que parece e que cada um dos participantes não está ali somente pela oportunidade de uma vida melhor, uma vez que cada um deles esconde outras motivações.

 

“A igualdade é uma ilusão convincente.” (Ezequiel)

 

Outro ponto positivo é a diversidade dos personagens, a série consegue integrá-los com uma naturalidade incrível. Temos personagens negros em posições importantes, sem nenhum estereótipo. Um dos protagonistas é um cadeirante retratado como um rapaz inteligente e seguro de sua capacidade de se sair bem no Processo. As personagens femininas não ficam para trás, e mostram toda a sua força, independência e protagonismo em vários momentos da trama. No quesito vilania, o tratamento é igual, temos atitudes moralmente questionáveis partindo de homens, mulheres, negros, brancos… de modo natural, como aliás acontece na vida real. Ponto para 3% que consegue reproduzir a diversidade sem criar estereótipos nem forçar a barra.

 

 “Mas não acho que o lado de lá esteja interessado em alguém que implore” (Joana)

Impressões

3% – O Processo

 

A série por si só já tem um bom enredo e cada episódio termina com um fato chocante ou uma revelação inesperada, e isso te faz querer assistir tudo de uma vez! O primeiro episódio causa um certo estranhamento e alguns detalhes incomodam num primeiro momento mas nada que faça você sentir vontade de desistir, são coisas como figurino, deslocamento da câmera e detalhes do cenário, mas que vão sendo corrigidos ao longo dos episódios.

Há no enredo uma clara crítica social e somos capazes de reconhecer o nosso Brasil atual naquela sociedade distópica. A divisão da sociedade em dois lados opostos é mais próxima da nossa realidade do que supomos num primeiro momento. A história é extremamente inteligente e a sensação de que nada é o que aparenta nos acompanha ao longo de toda a temporada.

O tempo todo somos levados a refletir sobre sobre algumas questões: até onde o ser humano pode ser corrompido pela crença numa ideologia? Vale a pena passar por cima do seu caráter por ideais e crenças em algo maior? Existe mesmo justiça na chamada meritocracia? São questões profundas e que se conectam muito bem com a nossa realidade. 3% consegue ser uma distopia sobre um futuro imaginário extremamente próximos a nós.

 

“Você acha que está lutando contra todas as injustiças do mundo, e que, destruindo o processo você terá igualdade, mas a verdade é que não existe nem heróis e nem vilões. Nem injustiçados, nem desigualdade. Porque a gente sabe que existe uma única diferença entre as pessoas. As que têm mérito e as que não têm. E ponto.” (Ezequiel)

 

Mas é claro que como em toda distopia existem os rebeldes, e em 3% eles são representados pela Causa, um grupo do qual sabemos muito pouco mas que vai se mostrando ao longo dos episódios. No episódio que encerra a primeira temporada somos brindados com um final de tirar o fôlego e que deixa uma só pergunta: Netflix, quando teremos a segunda temporada?

Vamos dar uma chance a 3%? Mergulhe nessa história sem preconceitos e garanto que você vai se surpreender! No final você vai até sentir um certo orgulho em dizer que 3% é uma série brasileira!

 

 

Plus: A Netflix confirmou a produção da segunda temporada da série e a previsão de lançamento é para o primeiro semestre de 2018!

 

Assista o trailer da primeira temporada:

 

 

Teste: Você seria aceito no processo?

A Netflix produziu uma espécie de game interativo, no qual é possível simular a primeira etapa do Processo, que é a entrevista com os selecionadores. Será que você passaria nessa etapa? Faça a entrevista com a Júlia e descubra!